Dona
Auta, minha avó e madrinha (ela sempre usa as duas patentes, seja para brigar
ou para dengar) é, possivelmente, a pessoa mais docemente ranzinza que eu
conheço. Nada a ver com a idade ... lembro-me de “Vó Auta“ com essa
personalidade marcante desde sempre. Um dia, quando eu tinha lá pros meus cinco
ou seis anos, ela resolveu me ensinar quatro verdades sobre a vida.
- Fifi -
disse ela - eu vou te ensinar hoje as quatro lições mais importantes que você
pode aprender.
Eu,
empolgada, achando que vó Auta ia me ensinar algum segredo do universo, fiquei bem
atenta.
- As
pessoas são imbecis! Às vezes você vai encontrar pessoas mais ou menos imbecis
na sua vida, mas todas são imbecis. Então, esteja preparada para lidar com a
imbecilidade alheia.
E
essa foi a primeira lição. Vendo que eu concordava com a cabeça, minha vó
continuou.
- Argumento
de burro é coice!
Na
época eu entendi essa segunda lição de forma literal. Imaginava que, como um
burro não fala, ele usava o coice para se comunicar. OK!
- Não
confie em quem bebe muito, mas não confie em quem não bebe.
Todo
mundo bebe - eu pensei - nem que seja um suquinho ou uma água. OK também!
E
por último:
- Por mais
que você enfeite um jegue, ele nunca será um cavalo.
Entendida,
mais uma vez de forma literal, essa lição foi um pouco mais difícil de compreender
do que as outras.
- Mas minha
vó, se a fantasia for muito, muito boa, talvez o jegue fique bem parecido com
um cavalo – eu questionei.
- Parecer
não é ser – minha vó encerrou a questão.
Durante
outros momentos da minha vida, essas lições foram repetidas isoladamente, a
depender de cada circunstância e, tempos depois, quando me tornei professora –
assim como minha vó – passei a buscar na memória e nas nossas conversas, “lições”
que me ajudassem na bonita, incompreendida e - por vezes ingrata - tarefa dos
que escolheram o desenvolvimento humano como forma de realização profissional.
...
e é assim que, no dia do aniversário de vó Auta, que esse blog começa!

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