sexta-feira, 27 de novembro de 2015 0 comentários

In vino veritas

Situação: um amigo pessoal pede a mim e a outro colega que nós indiquemos um aluno para estagiar na empresa dele.  Pensamos em quatro discentes dentro do perfil que ele nos pediu, ele os entrevista e escolhe um. O escolhido, vamos chamá-lo de João, grato, compra uma garrafa de vinho para nos presentear e vai falar primeiro com meu colega, que é o típico professor cdf, cheio de princípios ético-profissionais (melhor pessoa!). O diálogo se dá mais ou menos assim:

João:
Professor, tenho uma boa notícia pra te contar. Fui selecionado para aquele estágio!

Professor:
Rapaz, que boa notícia. Meus parabéns!

João:
Eu queria agradecer sua indicação, prof. Por isso eu trouxe esse vinho de presente para o senhor

Professor:
Olha, João, eu te agradeço, mas não posso aceitar. Eu te indiquei porque confio na sua capacidade técnica, por nada mais. Não acho que caiba eu aceitar esse presente

João
Prof., eu não quero te ofender, é só uma forma de agradecer pela confiança que o senhor depositou em mim

Professor:
Você já agradeceu, João. Saia com os amigos, abra esse vinho e comemore seu estágio. Desculpe-me, mas eu não me sinto a vontade aceitando presentes dos meus alunos”.

(viram o que eu disse? Princípios! ... mas se fosse um livro ele aceitaria que eu sei!)
        
João (meio triste):
O senhor acha que a pró vai aceitar?

(no caso, eu)

Professor:
Eu não sei, João, mas ela está na coordenação agora. Converse com ela. Desculpe-me, mas eu não me sinto confortável aceitando presentes dos meus alunos”.

João passa na coordenação e agora o diálogo é comigo.

Ele:
Pró, a senhora tem um minuto pra me atender?”.

(chamou de senhora, eu sei que é algum problema).

Eu:
Claro. Entre aí, Johnny”.

(sou dessas, chamo as pessoas por apelidos)

João me conta a conversa dele com o professor e acrescenta:

“... é só para agradecer a confiança, pró. Aceite que é de coração! O professor disse que não se sente confortável recebendo presente de alunos...

Eu olho pra garrafa de pinot noir em cima da minha mesa, olho pra João, olho de volta pro vinho e concluo que eu não quero viver em um mundo onde aquela garrafa vai ser desperdiçada.   

Johnny, eu não me sinto confortável dizendo 'não' para uma garrafa de vinho. Traga ela aqui“.


Lição do dia: Trocam-se maçãs por uvas (destiladas).



sábado, 21 de novembro de 2015 0 comentários

FaceBoss

Eu abro o facebook e recebo a notificação de marcação na seguinte postagem (de aluno):


Os comentários (o meu é o primeiro):



Lição do diaSe tá difícil pra você, imagine pra quem tá mandando a palavra “amor“ para #7452.
sábado, 7 de novembro de 2015 0 comentários

Ser racional ...

Sou professora há seis anos e gosto do que faço. Apesar das dificuldades, dos contratempos e dos fins de semanas trabalhando, me divirto ensinando. Não é fácil, mas é bom! Principalmente quando você dá aula numa turma boa, e por turma boa não me refiro a uma turma que só tira notas altas, mas àquela turma interessada, onde todo mundo participa. Pior coisa do mundo para um professor é entrar numa sala e ficar falando sozinho. Sim, se dá sono para você – aluno – dá sono para a gente também!

Existe um dito de sabedoria popular da cultura oriental uma gíria aqui no Reino da Bahia, que diz o seguinte: "Eu tô ligada que cê tá ligado no colé de mermo". Se você não é da terra ou não fala baianês, significa que você sabe que determinada pessoa tem conhecimento sobre algum assunto. Se tem algo que me diverte – mesmo – na docência, é avaliar o quão ligados no colé de mermo estão meus alunos, ou seja corrigir provas. Adoro! Dá um trabalho danado, mas tem sempre algum recado de aluno pedindo ponto, um desenho engraçado, uma frase sem sentido... e foi assim que o blog foi batizado quando, corrigindo uma prova de Ciência Política, onde eu pedia uma análise, sob algum aspecto (não recordo exatamente qual), da racionalidade grega, me deparo com a seguinte resposta da aluna: ser racional é opcional. Encarei a prova por cinco minutos, pensando: "misericórdia, que comentário eu posso fazer na prova, que esteja à altura dessa resposta?" Saí de casa, entrei numa papelaria e encomendei um carimbo com a palavra “Genial“, que foi prontamente usado na prova da aluna e inaugurou uma série de carimbos da zoeira que eu uso nas correções.

Lição do dia: Como diria Mahatma Ghandi, um dia sem esculhambação é um dia desperdiçado.




 
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