Situação: um amigo pessoal pede a mim e a
outro colega que nós indiquemos um aluno para estagiar na empresa dele. Pensamos em quatro discentes dentro do perfil
que ele nos pediu, ele os entrevista e escolhe um. O escolhido, vamos chamá-lo
de João, grato, compra uma garrafa de vinho para nos presentear e vai falar
primeiro com meu colega, que é o típico professor cdf, cheio de princípios
ético-profissionais (melhor pessoa!). O diálogo se dá mais ou menos assim:
João:
“Professor, tenho uma boa notícia pra te
contar. Fui selecionado para aquele estágio!”
Professor:
“Rapaz, que boa notícia. Meus parabéns!“
João:
“Eu queria agradecer sua indicação, prof.
Por isso eu trouxe esse vinho de presente para o senhor”
Professor:
“Olha, João, eu te agradeço, mas não posso
aceitar. Eu te indiquei porque confio na sua capacidade técnica, por nada mais.
Não acho que caiba eu aceitar esse presente”
João
“Prof., eu não quero te
ofender, é só uma forma de agradecer pela confiança que o senhor depositou em
mim”
Professor:
“Você já agradeceu, João.
Saia com os amigos, abra esse vinho e comemore seu estágio. Desculpe-me, mas eu
não me sinto a vontade aceitando presentes dos meus alunos”.
(viram o que eu disse? Princípios! ... mas
se fosse um livro ele aceitaria que eu sei!)
João (meio triste):
“O senhor acha que a pró vai aceitar?”
(no caso, eu)
Professor:
“Eu não sei, João, mas ela está na coordenação
agora. Converse com ela. Desculpe-me, mas eu não me sinto confortável aceitando
presentes dos meus alunos”.
João passa na coordenação e agora o diálogo é
comigo.
Ele:
“Pró, a senhora tem um minuto pra me atender?”.
(chamou de senhora, eu sei que é algum
problema).
Eu:
“Claro. Entre aí, Johnny”.
(sou dessas, chamo as pessoas por apelidos)
João me conta a conversa dele com o professor e
acrescenta:
“... é só para agradecer a confiança, pró. Aceite que é de coração! O professor disse que não se sente confortável recebendo presente de alunos...“
Eu olho pra garrafa de pinot noir em cima da
minha mesa, olho pra João, olho de volta pro vinho e concluo que eu não quero viver em um mundo onde aquela garrafa vai ser desperdiçada.
“Johnny, eu não me sinto confortável dizendo 'não' para uma garrafa de vinho. Traga ela aqui“.


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